Sentirgrafia

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Antes da fotografia, do cinema e da televisão, os livros e a cultura oral dos contadores de histórias permitiam que a imaginação criasse as imagens. (…) O ímpeto de imaginar o que nunca foi visto ou o que não se pode ver vem se perdendo.
(Flávia Mayer e Luiza Sá)

A fotografia lida essencialmente com o visual,
mas nada é o que parece ser.
(Duane Michals)

Este é um projeto que une duas empreitadas com a mesma essência: explorar artifícios da fotografia para além da visão. Quanto à primeira, trata-se de oficinas de fotografia para pessoas com deficiência visual. A outra consiste em um trabalho audiovisual sobre o processo criativo e as obras de fotógrafos cegos.

Todo o trabalho será desenvolvido em julho de 2017 no Piauí, estado que abriga a maior taxa per capita de deficiência visual do país: mais de 22% da população praticamente não enxerga. A ideia é compartilhar técnicas de fotografia adaptadas a cegos, em lugares onde o acesso a iniciativas artísticas que incluam pessoas com alguma deficiência seja ainda muito difícil. Espaços que permitam explorar no limite o estranhamento causado por um processo muito atrelado à visão, mas passível de estimular tantas outras percepções.

Para ampliar a iniciativa ainda mais, as saídas fotográficas dos participantes das oficinas serão registradas em vídeo. Seus processos criativos, as maneiras que encontram para transpor suas imagens do plano mental, abstrato, para o concreto da fotografia, para lidar com o equipamento, medir espaços e distâncias, interagir e tocar em personagens e objetos, tudo será documentado.

Posteriormente, as fotos produzidas por eles durante as oficinas serão mostradas para videntes (pessoas que enxergam), que vão analisá-las livremente sem, no entanto, saberem que o material foi produzido por pessoas com deficiência visual. Os comentários serão registrados em áudio e servirão como voz “off”/narração dos vídeos, que mostrarão apenas o processo criativo de cada participante durante a oficina. As fotos em si não serão mostradas. A intenção é que o espectador fique “às cegas”, forçado a lidar com as palavras de quem narra para imaginar o que foi retratado, tal qual o próprio fotógrafo.

O projeto foi selecionado pelo edital “Rumos 2015”, promovido pelo Instituto Itaú Cultural.

Para mais informações, envie um email: sentirgrafia@gmail.com 

Equipe
Produção: Andre Sakiyama, Daniel Lolo e Manoela Meyer
Vídeos: Daniel Lolo e Manoela Meyer
Oficinas de fotografia: Joyce Cury e Otavio Almeida

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2 comentários sobre “Sentirgrafia

  1. Excelente iniciativa. Profissionais altamente capacitados. Grupo de alunos introssados e bem aplicados ao conteúdo. Que venham mais projetos semelhante a esse, com acessibilidade, inclusão e capacitação para pessoa cega. Parabéns a equipe.

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    1. Foi com certeza uma das melhores experiências que já vivemos, Helô. Obrigada por acreditar na ideia e por sua participação tão crucial em Teresina. Esperamos rever todxs em breve!

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